sábado, 15 de setembro de 2001

Post ao pé do ouvido

Vontade enorme de ficar aqui quietinha no meu canto com todos esses sentimentos enovelados na minha garganta. Mas nao posso.

Eu confesso: estou me sentindo estranha. Nada que comprometa o meu estado natural de felicidade (não sei como definir isso... é o meu amor pela vida, digamos assim), mas sabe quando lá no fundinho você sabe que algo está errado e muito errado? E pior, eu nao sei o que é. Só sei que nao é assim que eu quero as coisas, não é assim que eu planejo a minha vida.

Eu perco muito fácil os meus limites. Eu sempre aposto que sou capaz de mais e realmente sou. Porém, quando a situação caminha para horizontes além dos que eu pensara, eu fico me sentindo perdida. É uma falta de controle que impede o planejamento, impede que eu saiba onde eu estou pisando e principalmente: a inconstância e a incerteza me impedem de confiar. Ainda mais quando uma coisa que eu muito prezo é constantemente quebrada: a palavra...

Eu queria poder acreditar em certas coisas cegamente. Eu nao sei viver numa situação na qual eu nao posso confiar porque o meu bom senso diz que para manter a minha integridade emocional, eu preciso abrir meus olhos e muito. Não sei abrir meus olhos e verificar que pode simplesmente "não ser mais".

Incomoda-me verificar que há uma divergência séria no que diz respeito a compreensão de certos aspectos, de que as coisas nao estao delimitadas como deveriam. Incomoda-me me sentir desrespeitada quando eu nao deveria me sentir.

Não sei fingir o que eu sinto e nao julgo isso incoerencia. O que fazer? Impor um limite aos meus sentimentos e negar fervorosamente tudo o que eu sinto so para parecer coerente? "Então tá, eu disse que não ia ser assim, mas eu tou sentindo que é assim." E agora? Quer que eu diga que nao tou sentindo?
Não sei parecer não me importar. Não sei aceitar tudo. Mas eu sei direitinho o que eu deveria falar, eu sei o meu papel. Porém, nao quero que para cumpri-lo eu tenha de me violar. Não vou, nao posso, nao devo violar nada do que eu acredito por causa disso. A isso, sinceramente, eu nao estou disposta.

Se eu vou segurar a barra? Não sei dizer. Se eu sei exatamente o que eu quero? Não tenho certeza, mas assim eu nao quero nao.

Já é um começo...
E tem mais: eu só quero sofrer pelo o que eu sei. E se possivel, só pelo que vale realmente a pena.
Eu quero reciprocidade. É essa a palavra.
Assusta-me essa pontinha de raiva que eu sinto dentro de mim...

Se eu me calasse, será que você entenderia?

sexta-feira, 14 de setembro de 2001

Querem saber como eu me sinto agora?
É assim ó:

"Os diamantes são indestrutíveis?
Mais é o meu amor.
O mar é imenso?
Meu amor é maior,
Mais belo sem ornamentos
que um campo de flores.
Mais triste que a morte,
Mais desesperançado
do que a onda
batendo no rochedo,
mais tenaz do que o rochedo.
Ama e nem sabe mais o que ama.

(Adélia Prado)


Não tenho palavras - além destas - que me sirvam para descrever tão adequadamente o que eu tou sentindo.
Eu sou mesmo muito dramática. Eu tava com um probleminha que me fazia sentir dores toda vez em que eu respirava fundo. Tava super preocupada comigo mesma, achando que era algo seríssimo. Pensei no meu testamento, juro. Decidira deixar minha agenda e meu antigo para a Rê, o tarô para a Mari, o manual do kama sutra para o Will, as roupas para a Ju e a Helena, o dinheiro que guardo para a caridade, talvez algum centro espirita... Fiquei pensando nos meus ultimos dias e em como eu iria querer viver até lá, já que eu iria mesmo morrer. Nem senti panico com a ideia e decidira viver normalmente. Iria ao cursinho, ao colégio, nao contaria nada a quase ninguem, mas aproveitaria o tempo que me sobrava para consertar o que eu achava errado. Talvez fazer as pazes com uma ou outra pessoa.

Fui ao médico.


E ele disse que meu problema era que por causa da minha ansiedade eu estava engolindo ar demais, fazendo com que meu estomago se dilatasse e empurrasse o diafragma. Receitou um digestivo e um calmante.
Mais um da mesma criatura

- Fidel ainda nao falou nada ne? Acho q ele deve ter passado mal com uma crise de risos :)

E sabe que ele tem razão?
Um diálogo no ICQ:

- Mas eu acho q nao vai ter guerra nao, pelo menos militarmente falando. Mas se tiver, com certeza o brasil vai entrar, e ai o bicho vai pegar!!!!
- hahaha Você vai ser convocado e ainda bem que eu sou mulher. [OFF: Ele se alistou no exército porque quis e adorou.]
- Ihhhh, vou amarradao!!!!!! Bom que vou visitar o oriente medio :) E melhor, na alta temporada, na guerra :)
- Deixa de ser louco, moleque. Você pode morrer...
- Ok. Sem problemas. hahahahahha Se o Brasil nao participar vou me alistar como voluntario no US ARMY...

E eu namorei com essa criatura.
Momentinho fútil:

*sussurando* Comprei meu vestido da formatura. Meu colégio tá em greve, nao sei nem se eu vou passar de ano, mas o vestido tá comprado. Até mesmo porque eu nao quero ficar igual a ninguém na festa hehehehe. Fiquei semanas a fio pensando em como eu queria o bendito vestido e entrei numa loja e vi exatamente o que eu queria. Sabe quando você sonha com uma roupa e encontra ela sob medida? Foi isso. ;)
Ameiiiiiii!


quinta-feira, 13 de setembro de 2001

Meu amigo Kodai fala umas frases ótimas para me consolar. Eu tive de dizer umas coisas e a pessoa ficou incomodada. Comento isso com ele (com um pouco mais de detalhes) e ai ele diz:

"A verdade é como uma prisão de ventre com o final programado."


Que bom, eu precisava mesmo descontrair... Tou uma pilha e super preocupada com o "daqui para frente". Desejem-me boa sorte.
A melhor forma de entender o que não conhecemos e nos causa estranhamento não é julgando ou tentando encaixar neste ou naquele estereótipo.
A melhor forma de entender é saber ouvir e acima de tudo, respeitar.

Por conta desse meu comentário, eu vou até repetir uma frase da Clarice Lispector que eu coloquei no texto "Identificações" (ver dia 05/09):

"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: eu quero é uma verdade inventada."

É isso o que eu penso para mim.

quarta-feira, 12 de setembro de 2001

Poesia já! :)

Das utopias

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!

(Paulo Leminski)
"Os políticos e governantes de países pobres que mais apregoam que suas economias devem abrir-se para o exterior e modernizar-se são os que mais revelam desprezo e descaso com o ensino fundamental e a situação das universidades."

(Jaime Oliva e Roberto Giansanti in "Temas da Geografia Mundial")


Que maldição...! Eu nao resisto a postar essas coisas.
Repararam que depois que eu mudei o layout do meu blog ele ficou menos diário e mais comentário? :P É que eu deixo o blogger já na área de postagens e ai vai me dando uma vontade irresistivel de postar tudinho o que tá acontecendo, principalmente agora que eu consegui resolver aquele probleminha dos posts que nao eram do dia ficarem com uma letrinha reduzida.
Esse novo layout me animou mesmo a postar. E mudar o post é uma boa forma de "cortar" um assunto, ao inves de criar um subtitulo e tals.

Alias... Ces gostaram do novo layout? Ainda nao é o ideal, eu sei... Estamos permanentemente trabalhando para melhorar esse blog. ;)
E a opiniao de vocês é MUITO importante. :)

terça-feira, 11 de setembro de 2001

Eu sei, eu sei. Eu tinha prometido a vocês que não ia mais falar da questão dos EUA. Mas eu vi no blog da Flávia o link presse texto muitchodobom, da Eliane Cantanhêde.

As suas pernas se embolaram tanto nas minhas...!
E tudo o que sobrou de nós,
Foram nós.
E chega de política nessa página, vamos voltar ao nosso expediente normal: poesias, cotidianidades, amenidades... :)
Eu acho que eu fui levemente mal interpretada no meu último post. Eu nao estou dizendo que a culpa é dos EUA e pronto. Tou dizendo que a política de armamento que os EUA têm proposto leva a isso mesmo: radicalizações. Num mundo em tensões cada vez maiores, sejam por conflitos étnicos, religiosos, etc. é um absurdo pregar rearmamento. As nações opositoras se sentirão obviamente ameaçadas e buscarão fazer o mesmo, como forma de defesa.

Acusam terroristas palestinos. Vem cá... Os EUA tem manifestado apoio explicito as causas de Israel, até porque os judeus tem grande poder no território americano. Os EUA, que sempre fazem questão de se colocar como árbitros dos conflitos mundiais, não estão sendo justos. É notório o massacre que Israel, estado nitidamente mais poderoso que a Palestina, tem feito sobre a população palestina. Isso gera sim sentimento de revolta e revanchismo por parte dos povos envolvidos. Israel invadiu território palestino e recusa a sair de lá. Mesmo país que ganhou sua terra depois de tanto batalhar; deveria saber respeitar outros povos por ter sido historicamente desrespeitado. Os palestinos por sua vez, também tem lá sua parcela de culpa, o descontrole dos grupos terroristas por exemplo, é gravíssimo. NÃO ESTOU JUSTIFICANDO O MASSACRE, porque ceifar vidas é sempre injustificável. Só estou dizendo que a questão vai muito além da religião...
Até onde irá a ambição humana?

Os EUA disseram que haverá retaliações aos envolvidos no massacre. Eu concordo que alguma atitude drástica precisa ser tomada, mas ela tem de ser muito bem pensada e feita com os ânimos mais frios. "Olho por olho e o mundo acabará cego."
Sobre o incidente nos EUA, acho que só há uma coisa a se dizer: uma parcela da culpa certamente é da política armamentista e agressiva (em outras palavras, irracional) que o presidente Bush tem pregado.

Na época do pacifista Clinton, os EUA não teriam passado por isso.

Alguém por favor lace esse jumento e mande-o de volta para o pasto lá no Texas.
Tá bom, tá bom, tá bom. Eu confesso: não aguento ler poemas longos. Pulo todos. Gosto de "poemas comprimidos", a la Oswald de Andrade. Eu sei: mereço a morte porque sou uma amante de literatura herege. "Fernando Pessoa tem uns poemas grandes muito bonitos". É mesmo? Eu não os li e muito provavelmente não os lerei.
Essa obtuosidade... Deve ser um mal que me acomete a alma.

Ou mais um reflexo de uma nova necessidade: a do imediatismo, a nós oferecida pela pos modernidade.

segunda-feira, 10 de setembro de 2001

Essa eu também tirei da Veja e tive de postar aqui... :)
Sabe aqueles desenhos que as pessoas fazem distraidamente ao telefone ou em reunioes de trabalho? Eu vivo fazendo isso e vi que existe a "rabiscologia", que decifra esses desenhinhos ai... Acompanhe:

Setas: a pessoa tem alguma ideia fixa perturbadora.
Círculos: é egocêntrica e detesta grupos.
Olhos: está à procura da solução para um problema
O próprio nome: sente-se rejeitada.
Cubos: mostra disposição para o trabalho.
Estrelas: tem objetivos ambiciosos.
Casas: está feliz e satisfeita com a vida.
Linhas retas: demonstra objetividade e determinação.
Ondas: está à espera de uma mudança radical.
Espirais: sente-se sozinha e quer companhia.

Eu? Eu costumo desenhar cubos e casas. E vc? :)
Preciso agradeçar à moça Sabrina que me mandou um mail elogiando o meu blog. Fiquei tao feliz de ter percebido a maneira como ela se identificou com o que eu escrevo e como isso mexeu com ela. :) Feliz mesmo, alegrou a minha noite. :)

Ah, visitem a página dela sobre teatro... :) Tem textos do Nelson Rodrigues lá. Eu amo Nelson... Vou ler assim que puder.
Essa eu tirei da seção "Veja Essa", da revista Veja:

"FH garante fim da seca no Nordeste."
Notícia do Globonews.com, atribuindo ao presidente Fernando Henrique o único poder que ele ainda não tinha: o de fazer chover.

É o pouco que diz tudo... ;)
Tá... Eu sei que preciso continuar mexendo nesse template. Ainda não está bom, definitivamente... :)
Mas depois. Haja conta telefônica... :)
Preciso dizer que o blog nao colaborou? (Ou melhor, eu não colaborei.)
Eu sou mesmo um desastre em termos de HTML

O que fazer?
Vou imprimir o arquivo html do meu template e consertar "frase" a "frase". Mas amanhã.

É... eu vivo na era da computacao paleolítica.
Assim que o blog colaborar e se eu nao tiver feito nenhuma caquinha, teremos esse layout do blog um pouco melhorado.
Tava passado da hora, não é? Vocês sabem... Eu tenho essa alergia por HTML que me impede de mudar o layout. Mas até que o Front Page nao é uma ferramenta do inferno. É do purgatorio. Afinal, Microsoft é microsoft e sempre faz um programinha "engraçadinho".

Vou consertar até mesmo o link dos comments e a questão dos acentos.
Se vcs nao gostarem quando eu postar, me avisem, please. :)

sábado, 8 de setembro de 2001

A menina Artie tem razão: "A vida bem que podia vir com uma 'FAQ':
Frequently Asked Question About Life".

E eu preciso agradecer ao elogioso comentário da Violinha ao meu texto "Identificações", feito a partir de frases da Clarice Lispector. (Ver quarta-feira, 05/09)
Tenho também de agradecer a Violinha pela valiosa companhia e por ter sido tão amiga desde que voltamos a nos falar (nao, a gente nao tinha brigado). Te adoro, viu, moça? :)

Sabe que ontem eu surtei e escrevi o "Identificações" na porta do meu armário? Eu ia escrever de retroprojetor preto, mas nao achei o álcool para confirmar se sairia ou nao a caneta depois que eu tivesse escrito. Resolvi escrever a lápis. E coloquei lá na porta do armário o texto com as devidas explicações. Fiquei babando depois.

Eu tenho essa mania... Eu coloquei alguns dos textos que eu considero significativos para mim escritos no meu armário. Além do símbolo do yin-yang, que foi quase que meu "mantra" do ano passado. No meu niver, o bolo era com esse mesmo desenho para simbolizar a fase pela qual eu estava passando, que era de muito equilibrio. Continua lá para eu lembrar do quanto é importante ser equilibrado. Eu juro que tento, mas nao tenho mais a mesma competência do ano passado.
Na parede do lado da cama (eu durmo virada pra parede) eu coloquei a frase mantra desse ano: "Minha medida é a minha vontade." Deixei lá para eu olhar sempre e ter isso na cabeça, introjetado no meu sangue, etc.

Tenho vontade de cobrir meu quarto com os meus textos. Mas acho que ficaria meio feio... Vou colocando um aqui, outro ali, substituindo os antigos...
Eu preciso mesmo é de um quadro metálico para eu colocar todas essas coisas e parar de rabiscar a parede. Mas tá carooooo. E eu prefiro guardar dindin para comprar coisas que eu tou realmente precisando, como uma sandália rasteira. :P


Mudando completamente de assunto...

Pros que passarão aqui amanhã, vou deixar um presente: uma poesia que achei enquanto vagava pela internet...
Achei no Jornal da Poesia. Ah, também achei linda.

Femina
Soares Feitosa

Não lavei os seios
pois tinham o calor
da tua mão.

Não lavei as mãos
pois tinham os sons
do teu corpo.

Não lavei o corpo
pois tinha os rastros
dos teus gestos;
tinha também, o meu corpo,
a sagrada profanação
do teu olhar
que não lavei.

Nem aqueles lençóis,
não os lavei,
nem os espelhos,
que continuam
onde sempre estiveram:
porque eles nos viram
cúmplices, e a paixão,
no paraíso,
parece que era.

Lavei, sim,
lavei e perfumei
a alma, em jasmim,
que é tua, só tua,
para te esperar
como se nunca tivesses ido
a nenhum lugar:
donde apaguei
todas as ausências
que apaguei
ao teu olhar.

sexta-feira, 7 de setembro de 2001

Errr... Eu nao arranquei e lavei uma a uma as teclas, mas por sugestao do Kodai, abri o teclado para limpa-lo. Por que diabos eu fiz isso??? Passei o resto da madrugada tentando montar e criei até uma teoria evolutiva a respeito.

O inferno é um bando de teclados microsoft desmontados e pessoas tentando encaixa-los. Quando encaixam, elas evoluem, vao para o paraiso. Se quebrarem o teclado por irritacao, morrerao no inferno. É isso, não há outra explicação.

Às 3 da matina eu reconheci a minha incompetencia e liguei prum amigo vir até aqui resolver isso hoje para mim. Uma dor de cabeça sem fim. O teclado agora tá ate mais limpo. Achei até pedaço de unha debaixo das teclas... Nojento, nao?
Resultado: meu amigo ta aqui, montou o teclado (obvio, senao eu nao conseguiria escrever), mas o scroll lock nao funciona mais... Deu tilte no circuito ou sei lá o que.

Mas também, quem precisa de scroll lock??? :PPP
A minha tarde foi bem legal. A Ni me ligou e como nao tinha nada para fazer, resolveu vir para cá. A ideia inicial era andar de bicicleta, mas o tempo fez o passeio meio que ir por agua abaixo. Decidimos por alugar um video e comer brownie com sorvete. Chamamos o Gabriel, que demorou so 1h30 no transito... Mas chegou.

O brownie tava otimo, o sorvete idem.
Assistimos ao filme "Chocolate". Muito bom. É mesmo para quem nao quer se estressar, nao quer pensar muito, mas é bem legal.
Conversei muito com eles. Dia simples, mas delicioso. Amigos, amigos. Como viver sem eles? :)

E dos meus AMIGOS eu nao tenho nada a reclamar. :)


Mas do meu teclado... Gente, meu teclado tá nojento. O meu amigo Kodai tem razao: o teclado é um ímã de comida. Eu preciso parar já de comer em frente ao micro. Eu fui virar o teclado e caiu de tudo: farelo de pao, po de borracha, pedacinhos de chocolate, veio um cheiro de suco de maracuja. A tecla do . tá meio que travando. Nojentao. Vou limpar esse teclado.
A vontade que dá é de arrancar as teclinhas e lavar uma a uma, incluindo o esqueleto do teclado. Pena que não posso... Como deixei ficar assim?? :PP

quinta-feira, 6 de setembro de 2001

Essa coisa de estar em casa por causa da greve (ninguém precisa me dizer que nao era preu estar em casa, eu sei. Mas é que eu nao tou lá muito bem.) tá me deixando triste e principalmente, trash... Tou comendo todos os restos de comida que encontro pela geladeira. E olha que comida na geladeira da minha casa é algo para se temer

Certa vez, minha mae, que tem mania de tudo congelar, serviu peru de natal em julho. Voces tem nocao do que é isso? É no minimo, nojento.

quarta-feira, 5 de setembro de 2001

Voltei agora da terapia.
Pensei que quando voltasse de lá, eu ia estar melhor, mais calma, etc. Ledo engano. Tou me sentindo pior porque eu acabei falando de todas as coisas que estavam me incomodando, colocando tudo para fora e agora essas coisinhas (que sao coisonas na verdade) ficam aqui me rondando, eu só encontro uma solução: ler Clarice Lispector. (Às vezes ficar pensando é martirio muito maior e nao leva a nada.)

Vou fazer aqui um apanhado de frases que são muito "eu" e que tem por isso um grande simbolismo para mim. Frases do livro Água Viva, da Clarice. Não tem que se guie pela bíblia? Pois eu me guio por algo que está além das meras palavras e de argumentos de autoridade. Eu guio-me pelos meus sentimentos, pelas minhas vontades e pelos diferentes "eus" que se apercebem dentro de mim quando eu acordo. E será que eu acordo? De fato, não sei. O que eu sei é que todas as manhãs eu sinto o sol nos meus olhos e me vejo viva. Ou pelo menos pulsando. É a essa pulsação que eu atribuo o nome de vida. Se é vida de fato ou é ausência dela, eu não sei. Só sei que pulsa e que não é morte. Só sei que existe e eu não a temo mais. Pelo contrário, eu a amo demais. É um estado apaixonante esse sentimento pulsante pela vida. Se eu pudesse me apresentar, eu faria assim (como está lá no texto).

Já fizeram isso? Um texto com trechos de um livro com os quais vcs se identificam muito?
Vou dialogar com vocês por intermédio de palavras que não são minhas e eu queria muito que vocês mais do que lessem, sentissem o que eu tou querendo dizer. Será que é possível? Vamos tentar? ;)
Farei algumas adaptações para estabelecer a coerência, mas farei as mínimas adaptações.


Identificações

Terei que morrer de novo para de novo nascer? Aceito.

Por enquanto o tempo é quanto dura um pensamento. Assim o mais profundo pensamento é um coração batendo.
Atrás do pensamento não há palavras: é-se. Não quero contar nem a mim mesma certas coisas. Seria trair o é-se. Sinto que sei de uma verdade. Que já pressinto. Mas verdades não têm palavras.

Andar na escuridão completa à procura de nós mesmos é o que fazemos.
Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: eu quero é uma verdade inventada.

Minha essência é inconsciente de si própria e é por isso que cegamente me obedeço. Ah tenho medo do Deus e do seu silêncio.

O que eu não vejo não existe? O que mais me emociona é que o que não vejo contudo existe. Será que eu reconheceria a verdade se esta se comprovasse? A verdade última a gente nunca diz.

Não gosto é quando pingam limão nas minhas profundezas e fazem com que eu me contorça toda. Os fatos da vida são o limão na ostra? Será que a ostra dorme?

Ocorreu-me de repente que não é preciso ter ordem para viver. Não há padrão a seguir e nem há o próprio padrão: nasço.

Estou sentindo o martírio de uma inoportuna sensualidade. Porque eu sou uma pergunta. Sou até ingênua porque me entrego sem garantias. Nada existe de mais difícil do que entregar-se ao instante. Esta dificuldade é dor humana. O que me guia apenas é um senso de descoberta. Atrás do atrás do pensamento.

Mesmo para os descrentes há o instante do desespero que é divino: a ausência do Deus é um ato de religião. Neste mesmo instante estou pedindo ao Deus que me ajude.

Mas se eu esperar compreender para aceitar as coisas - nunca o ato de entrega se fará. Tenho que dar o mergulho de uma só vez, mergulho que abrange a compreensão e sobretudo a incompreensão. E quem sou eu para ousar pensar? Devo é entregar-me. Como se faz? Sei porém que só andando é que se sabe andar e - milagre - se anda. Recuso-me porém a qualquer missão. Não cumpro nada: apenas vivo. Quando penso no que já vivi me parece que fui deixando meus corpos pelo caminho.

Mas quero ter a liberdade de dizer coisas sem nexo como profunda forma de te atingir. Só o errado me atrai, e amo o pecado, a flor do pecado.

Como fazer se não te enterneces com meus defeitos, enquanto eu amei os teus. Minha candidez foi por ti pisada. Não me amaste, disto só eu sei.

Diga-me por favor que horas são para eu saber que estou vivendo nesta hora.



Ufa, acho que consegui. Que tal?

terça-feira, 4 de setembro de 2001

Ontem foi a assembléia de alunos do meu colégio e mais uma vez eu presidi. Putz... É uma merda ter uma tarefa como essas, é stress puro. Quase briguei com uma das minhas melhores amigas porque ela nao respeitou o sistema de inscrições por diversas vezes e ainda por cima ela é a "presidente" do gremio (teoricamente o gremio é colegiado, mas ela é a lider natural, digamos assim). Sabe o que que é vc ter de virar e dizer: "Ou você senta aqui e preside essa assembléia ou me deixa presidir."
Foi pessimo.

E a assembleia nem foi tao vitoriosa assim... Tinha muitos alunos (110), conseguimos votar por uma greve de estudantes em apoio a greve dos professores, mas tendo uma pauta propria. Porem, quando chegou na questao das aulas do 3o. ano, a coisa ficou complicada. É dificil isso porque o 3o. ano parado tem um impacto muito grande e isso acontece no Pedro II, por exemplo. Mas também é preciso ver que tem gente que nao tem como correr atrás da matéria e o vestibular tá ai. Na minha sala tem uma menina que vai prestar pra medicina e nao pode pagar cursinho. Ela depende do colegio.
É uma posicao muito complicada mesmo. Eu nem mesmo consigo formar a minha opiniao a respeito.
Mas os alunos votaram por pedir aos professores do 3o. ano que voltem a dar aula...


Uma amiga minha terminou um namoro. Eu sei que ela gostava (ou tinha se acostumado) com a presença do cara e tals, mas eu tou muito feliz por ela. Alguem que trata uma garota com a grosseria que ele a tratava, nao merece estar acompanhado nunca. Nao merece nem mesmo ter uma pessoa tao legal como essa minha amiga ao lado.
Vai ser melhor, Ni, você vai ver.

Então é isso... Tou aqui de molho em casa, vou começar a estudar já já, talvez meus amigos venham almoçar comigo.

Os outros problemas? Só dando tempo ao tempo...


Conversando com o meu amigo Kodai me veio mais uma ideia para a listinha que eu tou montando sobre coisas que eu realmente odeio:
Pessoas inúteis. Pior do que quando estao sendo inúteis é quando estao atrapalhando... Minha avo dizia muito sabiamente "longe de quem está trabalhando e perto de quem está cagando." É isso. Mais preciso impossível.

domingo, 2 de setembro de 2001

Ontem aconteceu algo doido, estranho. Nao saquei nada.

Tudo bem... Eu me prometi que nunca ia perder nenhuma oportunidade e que ia fazer tudo o que tivesse vontade... Tou fazendo, entao.
Sem peso na consciencia, sem remorso.
Mas nao era para acontecer.

Faco tudo o que for para me dar prazer, de qualquer forma que seja.


Eu odeio essas formas que os pais tem de retaliar os filhos. Essa pressaozinha que eles parecem ter um gozo enorme em realizar. Eu nao queria sentar para almoçar com eles. Acho podre essa coisa ritualistica que as pessoas tem em torno das refeicoes, esse TER de sentar, de esperar e tudo mais. Argh. Disse que nao ia sentar para almoçar com eles e meu pai ficou puto, resmungando. Retruquei: "Porra, deixa eu fazer o que eu tenho vontade. Que coisa." Minha mae também nao gostou do fato e ficou falando que se eu sujasse algo no escritorio, ela ia me fazer limpar com a lingua. E ficaram os 2 resmungado. Uma hora eu me enchi e falei "Parem de resmungar, que saco."
Eu deveria ter acrescentado: "É por essas e outras que eu nao sento para comer com vocês."


Um texto que me bateu agora. Alguns textos me vem como tapas na cara.

Ressonância
Fiz para ter-te ao meu lado. Agora parei com tudo isso e posso ouvir ao longe a tua voz querendo que eu continue, mas eu finjo ser apenas mais um dos lamúrios que a noite me traz.

Mas não quero. Não mais. Não mesmo. (E se eu preciso repetir é porque ainda não me convenci.)

Esse silêncio que tomou conta de mim calou-me até as palavras que eu fiquei devendo de te dizer. Eu sei que não vou dizer mais nada. Não preciso de mais nenhuma dor de sacrifício.
Essa loucura de sensatez me consome, tirando-me as últimas e exasperadas gotas de paixão. Bebo teu nome e engulo tuas cortantes palavras sem líquido, elas vão me dissecando por dentro.

Palavras secas, a seco e na seca. Eu estou vivendo nesse terreno estéril solidão e ao meu lado, saudade. Fica aqui, pois é silenciosa como cada lágrima que me tomba dos olhos e irriga o solo. Quem sabe não nasce flor? Cala no meu peito o suspiro da antepenúltima vontade de ter vontade. O vento bate e carrega pequenos grânulos de areia. Protejo meus olhos com meu braço e abaixo a minha cabeça entre as pernas. Sinto mais uma vez aquela dor de parto e a angústia de saber que nada me basta. Meu corpo se treme. Nada me é simples e eu dificilmente desisto. Isso só torna tudo mais doloroso.

Eu me calo porque dei-me calos.

sábado, 1 de setembro de 2001

Fui a uma festa muito legal ontem. Eu raramente tenho vontade de sair e ficar pela rua até depois das 3 da manha. Acho que esse horário já tá muito bom. Virar a noite? Detesto. Até voltar pros horários normais é um martírio que nao vale a pena. Mas ontem até deu vontade de fazer isso.

Nem era uma daquelas festas de arromba nao, era mais um encontro. Mas a musica tava legal, as pessoas tinham um papo otimo e eu fui ficando por lá... :) Valeu a pena mesmo.

So foi engracado porque eu fui a primeira a chegar, antes mesmo da aniversariante... Ela marcara a festa as 21:00 e eu cheguei 21:30. A mulé é tao doida que so foi chegar as 23:00 e quando chegou, nos, os convidados, tinhamos dado um jeito de arrumar a mesa de comida da festa. Surreal, nao é? :P


Gatinho conectou agora no icq. Eu ia mandar uma msg, mas como ele tinha falado que ia me ligar (isso no domingo passado), nao mandei msg nenhuma. Desconfio que ele continua online, em invisible mode. Foda-se.
Sério... Me magoa demais essa falta de sinceridade dele. Se ele nao está afim, por que diabos fica fazendo cena? Eu PEDI pra ele ser muito sincero comigo, a qualquer custo. Qual é a dele? Por que ele diz uma coisa e faz outra? Eu ODEIO gente assim.
Por que diz que vai ligar e nao liga? Por que nao pula fora logo e me deixa em paz? (Mas essa frase nao representa MESMO o que eu quero.)


Eu odeio esses joguinhos bestas de sedução. Para que fingir? Para que forçar? Para que nao fazer o que se quer?
Minha medida é a minha vontade SEMPRE. Que se foda o resto, que se fodam os convencionalismos bestas e castradores. Eu quero o que quero e admito. E não faço força para ser entendida, quem faz sentido...

quinta-feira, 30 de agosto de 2001

GREVE GREVE GREVE GREVE GREVE GREVE GREVE GREVE GREVE GREVE GREVE GREVE

Na ultima assembleia de alunos da UFRJ foi tirada greve de estudantes. Ouviram? Os estudantes da UFRJ estao em greve. O conselho de ensino de graduacao, orgao maximo da UFRJ, tirou que é reconhecida a greve de alunos e de professores e que os alunos em greve terao seus direitos assegurados, nao podendo ser reprovados e todas as aulas dadas em periodo de greve terao de ser repostas, inclusive pelos professores que furam a greve.

Já sao 37 das 39 universidades federais paradas, sem contar com a rede municipal e estadual de ensino. O Pedro II tá em greve, CEFET e ETFQ idem. Ah, o INSS também.

Hoje teve assembléia de alunos e de professores no meu colegio para decidir a questao da greve. Os professores tinham votado na ultima assembleia pelo retorno às aulas, mesmo estando a UFRJ parada. Os alunos do meu colegio conseguiram se reunir, decidir as suas posicoes e intervir na assembleia de professores. Chamamos os professores para a greve que também é nossa causa e nos comprometemos a nao fazer uma greve de professores e alunos desmobilizada (greve de pijama, como eles chamam). Greve pelo ensino publico de qualidade. Até onde eu sei nos conseguimos reverter a posicao de retorno as aulas que os professores tinham tomado e vamos continuar com o movimento de greve.

É isso que rola por aqui... Meu braço piorou (a minha tendinite), o vestibular tá batendo na porta e eu tou extremamente envolvida com o movimento estudantil. Por isso, vou atualizar bem menos o meu blog, mas vou tentar sempre dar noticias para vocês.

Ah, momento panfletário...

A greve é por um ensino publico de qualidade e com dignidade. A causa é de todos. E você, vai ficar ai parado enquanto destroem o seu patrimonio?? A universidade é nossa!!!

quarta-feira, 29 de agosto de 2001

É só um texto, viu, gente? :) *Ainda* não é a realidade... :)

Ele disse não mais.
Ela riu compulsivamente.
Ele fez ar de espanto.
Mas ela sabia:
Tudo que podia fazer era rir.
Dos dois, daquela grande piada que foi a história deles.
E ria muito porque tinha nos lábios e no corpo,
A delícia de estar viva.

Ela sabia que ele voltaria e isso lhe dava toda tranquilidade. O tempo passou... Reencontraram-se. A idéia de viver a mesma piada deliciosa lhe fazia mais feliz ainda.
Depois dele, ela aprendeu: "não importa o que aconteça, a única verdade é que tudo passa e eu não me permitirei perder uma única oportunidade".
Beijou-lhe e seguiu seu caminho ao lado dele.
Ela ria novamente, pois descobrira a vida.
("O resto a gente ajeita".)
Novos objetivos: contagiar a todos com a moléstia da felicidade. Era para isso que tinha vindo.
Sozinha ou acompanhada? Não fazia mais diferença.
E saiu por aí...

terça-feira, 28 de agosto de 2001

Juro que hoje eu tou meio sem assunto. É real...

É que hoje nao aconteceu nada mesmo. Acordei, vi meus emails, li todos, li um livro ouvindo um cd de jazz, dormi e fui pra terapia. A terapia foi o ponto alto do meu dia e foi otima. Tou adorando cada vez mais e bla bla bla.

O gatinho ligou pra vocês? Não, né? Muito menos para mim. Pelo menos até agora ele nao ligou para mim e posso apostar com vocês que não ligará.
E eu sempre tou tentando me convencer a pular fora, mas eu nao consiiiiiiigo. Tá virando um dilema mesmo, um problema, uma coisa que nao evolui. Odeio coisas que não evoluem. Mas eu nao queria ter de pular fora. Não mesmo.

Fiquei feliz hoje quando eu abri minha página e vi que tinha comentários em alguns posts! Yes!!! Finalmente vocês leitores estão escrevendo!!
Valeus mesmo Nina! E concordo com você... Esses caras precisam fuder e não sair de cima. Quem eles tao pensando que sao?? :P
E Filipe tá anotada a sua idéia. Gostei mesmo... Mas será que eu consigo por em prática? Meu gatinho é músico e acho que ele nao vai conseguir nao reparar... Hora dessas eu tento.
Beijao pros 2.

Vou terminar com a deusa Clarice Lispector... Ainda do livro "Agua Viva".

"Hoje de tarde nos encontraremos. E não te falarei sequer nisso que escrevo e que contém o que sou e que te dou de presente sem que o leias. Nunca lerás o que escrevo. E quando eu tiver anotado o meu segredo de ser - jogarei fora como se fosse ao mar. Escrevo-te porque nao chegas a aceitar o que sou. Quando destruir minhas anotações de instantes, voltarei para o meu nada de onde tirei um tudo? Tenho que pagar o preço. O preço de quem tem um passado que só se renova com paixão no estranho presente. Quando penso no que já vivi me parece que fui deixando meus corpos pelo caminho."


Muito, muito eu esse trechinho... Espero que tenham gostado. :)

Ah... Minha medida é a minha vontade. Pronto, falei.

segunda-feira, 27 de agosto de 2001

Depressão? Stress por relacionamentos rompidos? Briga com a pessoa amada? Seus problemas acabaram!
Consultório sentimental da Deds
Mande-me um email e eu resolverei seu problema!


(Como se eu fosse a pessoa mais indicada, mas tudo bem.)
Eu tou falando isso porque todos os meus amigos tem essa mania de me fazer de consultora sentimental. Eu nao me incomodo nao, acho que faz parte de qualquer amizade o ato de ouvir. Mas é que eu nao me considero a melhor pessoa para isso. De qualquer forma a gente continua ouvindo, viu, Gabriel? :)

Por falar em problemas, ontem eu falei com o gatinho. Liguei na cara de pau para chama-lo para sair e talvez role na 3a. (tou ficando cansada de colocar os "talvez" aqui). A gente bateu um papo muito legal sobre Moulin Rouge, musica, etc.
Ele discorda de mim! Ele acha que Portished e principalmente "glory box" nao sao baby maker songs. Eu tentei até mostrar as cenas para ele, mas ele nao concordou. Disse que se tivesse "ficando com uma mulherzinha" e tocasse esse cd, iria querer parar tudo e pedir colo. Fofo, não? Ai ele acrescentou: "e se continuasse tocando, eu ia pensar se nao era melhor tomar o pote inteiro do remédio antidepressivo".

Snif... Conclusão: não vai ser com ele que eu vou realizar meu sonho de transar ao som de Portished.
Acho que preciso trocar de "rolo".

domingo, 26 de agosto de 2001

Ontem fui assistir ao filme Moulin Rouge. Adorei, achei o máximo. Eles cagam para a cronicidade e acabam usando madonna, nirvana, u2 em um filme do século XIX. É de uma profusão de cores, de elementos cômicos e ao mesmo tempo a estória tem uma densidade ótima. Adorei mesmo.

Gostei também da companhia... Fui com um amigo com o qual eu não saía há muito tempo. É que nos tinhamos brigado no ano passado e acabamos ficando mais de 6 meses sem nos falarmos. Ele é quase um irmao para mim e semana passada voltamos a nos falar. :)

Hoje teve ENEM... Foi, né? Acho que nao tenho muito a falar sobre isso... Quando o resultado sair, eu conto.


Ah, esqueci de contar algo muito lindo... Eu cheguei na casa da Maria na sexta e ela colocado um quadro de cortiça na parede. Tinha umas fotos lá e uns dizeres... Mas o que me chamou atenção mesmo foi uma frase da Rita. A frase é a cara dela e me tocou muito profundamente, fiquei realmente emocionada, sem palavras para descrever... Ela conseguiu colocar em palavras a alegria de viver que ela passa quando está perto da gente. É algo contagiante e eu posso dizer que eu tou num momento próximo ao dela... :)

"Ai que raiva de mim! Eu não consigo parar de ser feliz."
(Rita)

sábado, 25 de agosto de 2001

Yes!!!! Ontem foi a festa de calouros da UFRJ. Foi irada!
Foi lá no IFCS (instituto de filosofia e ciências sociais), no Largo de São Francisco de Paula. Tava lotadão no início, depois esvaziou. Maneiro é que nessas festas tocam de tudo quanto é música e rola mor integração. E eu dancei de tudo, menos forró. Inacreditável: eu não sei dançar forró. Os passos separados eu até faço, mas quando junta com alguém é desastre total.

Teve uma hora em que a gente se juntou com uns meninos lá e fizemos uma roda de samba enorme... Geral ficou olhando a gente sambando e os garotos dando um show. Integração total.

A festa terminou no 0x0 (em outras palavras: sem beijo na boca) por opção minha. Ufa, pelo menos minha situação não é tão triste. Um garoto que veio conversar comigo era até ficável, mas não rolava porque o gatinho ia passar por lá. Tudo bem que eu nao ia nunca ficar com o gatinho naquela festa, mas já imaginou que coisa pessima se ele me visse atracada com algum garoto? Justo eu que tinha dito a ele que não conseguiria ficar com mais nenhum garoto caso tivesse saindo com ele (e pior que eu já fiquei... foda-se, se ele não perguntar, ele não vai saber). Preferi nao correr o risco.
Da próxima vez eu corro.

Esbarrei (literalmente) com o gatinho na festa. Beijo na boca? Nenhum. Abraço? Nenhum. A gente se cumprimentou feito dois amigos, ele falou meia duzia de palavras, eu idem e ele saiu pra rodar. Tudo bem, a gente tinha combinado que ia ser assim e juro que eu não senti nenhuma vontade de beijá-lo naquele momento, até porque eu tava mega suada, me divertindo horrores por estar ali dançando feito uma maluca e não tinha a menor pretensão de sair do lugar. Nem mesmo por ele.

Mas confesso que fiquei meio puta. Tudo bem que é trevas procurar alguém naquele lugar e ele tava com um grupo esperando, mas ele podia ter se despedido de mim... Tá tranquilo. Lavo a roupa suja depois, se houver depois. Sinceramente, eu nem me considero mais ficando com ele.

A cada dia que passa eu tenho menos estímulo para continuar ficando com ele. Não há trocas, saca? Ele me liga, a gente conversa e não sai disso. A gente não se vê há mor tempão e eu já decidi que eu não vou mover uma única palha para vê-lo, já fiz demais isso. Se quiser me ver, me ligue. Fico puta com isso porque ele continua ligando e eu não sei se ele tá numa de continuar ou não. Da ultima vez ele disse que sim e eu havia sido extremamente objetiva na pergunta.

Odeio esses homens que não fodem nem saem de cima. Eu juro que preferia que ele fudesse e não saísse mais de cima...
Hum...

Vamos ver quando é que ele vai ligar e qual vai ser a da parada... :PPP


Ah, esqueci de contar algo muito engraçado. Uma amiga minha apelidou a festa de ontem de "ghostbuster". Sabe por que? Porque a gente saiu para "caçar" homem e só "caçou" fantasmas (leia-se esbarramos com vários ex namorados das meninas do grupo).... hahahahaha Trevas total!! LOL :)

sexta-feira, 24 de agosto de 2001

Justo ontem, dia em que eu nao pude postar, esse blog bateu 47 visitas. Uau! :)

GREVE

Eu nao postei ontem porque cheguei detonada em casa... É que eu fui pro colegio de manhazinha e quando eu cheguei: GREVE! Tomei um susto porque uma professora tinha tranquilizado a gente, dizendo que nao ia rolar ainda. Fiquei meio desnorteada. Quando o resto do povo do gremio do colegio (eu sou do gremio, mas tou afastada por causa do vestibular...) comecou a chegar, nos ficamos discutindo o que iamos fazer. Decidimos por uma assembleia de alunos, na qual iamos tirar posições e idéias para atividades de greve.

Fiquei meio chateada com um professor lá do colegio, que entrou em sala e deu aula furando a decisao dos SERVIDORES PUBLICOS FEDERAIS EM TODO O PAIS. Cheguei pro cara e falei: "Professor, eu aceito que voce dê aula, mas eu nao posso assistir sua aula quando eu tou apoiando a greve." Ele sorriu, disse que nao ia repor as aulas e falou que tudo bem, era um direito meu. E eu sai de sala, fui fazer as tarefas do gremio.

Teve a assembléia e o povo decidiu por fazer uma série de manifestações e ocupar o colégio toda 5a. feira com atividades, oficinas, grupos de estudo, etc. Greve de ocupação...
Uma moça de um dos sindicatos em greve nos explicou melhor as revindicações dos grevistas... Para quem não sabe, aqui vão:

- Contra o projeto de emprego público proposto pelo governo;
- Reajuste salarial de 75,48% (O governo teve a cara de pau de oferecer 3% com os caras ha 7 anos sem reajuste!)
- Contra a perda dos direitos da aposentadoria (Os servidores federais passariam a ter de contribuir para a previdencia, mesmo quando aposentados)
- Incorporação das gratificacoes ao salário. (O governo quando ao invés de dar aumento, fica dando essas gratificações, que chegam a ser até maiores que os salários. Só que como elas nao sao incorporadas ao salário, podem ser cortadas de acordo com o ciclo menstrual do FHC. Outra coisa: há gratificações recebidas por produtividade. Ou seja, avalia-se a quantidade e nao a qualidade do trabalho dos servidores.)
- Liberdade de direitos sindicais: o trabalhador nao recebe salário quando se afasta para trabalhar no sindicato e esse periodo nao conta para a aposentadoria.


A greve é por tempo indeterminado. Comissões avaliarão os setores que não poderão ser paralisados.


No resto do dia, eu dei um passeio com o povo do CAp. Depois fui conhecer o irmãozinho lindo da minha amiga. O menino tinha nascido já há 6 meses e eu ainda nao conhecia. A criança é uma fofura, ri a toa, toda gordinha.
Passei o dia lá e so cheguei em casa lá pelas 21hs. E ai eu tava morta, fui dormir depois de um tempo.

Ah, ontem eu escrevi algo a respeito de algo muito louco que me acontece quando eu ando na rua... :) Espero que gostem!

Amor in memoriam

Os homens de todas as esquinas tem teu cheiro.
Ele é másculo, acalentador.
Me envolve tal qual nuvem.
E lembram-me, ingratamente, que você não está aqui.
Essa falta ninguém há de suprir.
(Nem com todas as palavras mais belas)
Talvez nem mesmo você.


Pesadinha, não?

Selecionei um trecho lindissimo de Clarice Lispector para vocês... Esse livro da Clarice tem muito a ver comigo, virou a minha bibilia. Ela fala tudo o que eu nao consigo por em palavras, mas que está aqui, sufocado. Esse trecho tem muito a ver comigo agora...

"E eis que sinto que em breve nos separaremos. Minha verdade espantada é que eu sempre estive só de ti e não sabia. Agora eu sei: sou só. Eu e a minha liberdade que não sei usar. Grande responsabilidade da solidão. Quem não é perdido não a ama. Quanto a mim, assumo a minha solidão. Que às vezes se extasia como diante de fogos de artifício. Sou só e tenho que viver como uma certa glória íntima que na solidão pode se tornar dor. E a dor, silêncio. Guardo o seu nome em segredo. Preciso de segredos para viver."

(Clarice Lispector in Água Viva)

quarta-feira, 22 de agosto de 2001

Hoje eu tou de bobeira em casa. É, tou sem fazer nada aqui. É que nao teve aula por conta de uma paralisação que vai decidir se o meu colegio entrará ou nao em greve.

Eu quero greve *tum tum tum tum*.
Não por motivos pessoais, mas é porque eu acho que já tá passada a hora de fazer o governo parar de cagar para os servidores públicos federais. Imagina que agora FHC quer retirar 26% do salário dos caras e cortar as gratificações, que praticamente são o salário todo!
Além da situação degradante das universidades públicas.

Essa porra tem de parar já.
E sou radical: quero paralisação geral no país (nesse ponto deveríamos seguir nossos amiguitos argentinos) e quero suspensão do vestibular (sim, eu sei que eu me fodo com isso).
Eu quero ver o circo pegar fogo, isso sim.


Ah, talvez o gatinho venha aqui conversar comigo... Não sei. Ele deve me ligar pela hora do almoço pra dizer.
Eu nao tou com a menor intenção de conversar. Tou pensando mesmo em outras coisas bem mais interessantes com ele >;->. Espero que ele nao tenha levado a serio a minha desculpa da conversa ;).
Mas, conhecendo o figura, ele levou sim.

terça-feira, 21 de agosto de 2001

Um outro texto meu... :)

Nascimento


E tem esses gritos dentro de mim que eu não consigo proferir. Tento, insistentemente passar para o papel. Falta-me o léxico necessário para escrever meus sentimentos. Escorre o tempo. O tempo em mim escarra, bate-me por tê-lo perdido.

Não há perdão, eu sei. Eu sei. Sei sim. Tudo por medo. Não, eu não quero falar. Pára com isso. “Mas você precisa...” Não, eu não quero falar. Não insista.

Das palavras, quais são as que doem mais: as que reverberam ou as que calam? Não sei. Não consigo ponderar o que é dor e o que é confusão em mim. Não preciso dimensionar nada e acho que nem quero. Não quero ter certeza do que pode doer. Pára de falar nisso e beija-me. Eu beijo. Eu desejo. Eu, viva de novo. Não me deixa morrer.

“Querida, me dá a tua mão. Vamos viver. A gente ajeita as coisas, fica tranqüila.”

Não me deixa sozinha, por favor. É na solidão que eu ouço os meus gritos.

“Você nunca está sozinha quando perto de mim. Você está apenas morbidamente acompanhada. É isso o que você quer?

Não me force a responder porque essa dor de palavras arrancadas eu não posso suportar. Que tipo de amor é esse que não provoca nenhuma dor? Eu diria que esse tipo vive na inexistência e numa enorme dificuldade em ser!

“Então vamos... Permita-se viver, morrer, sofrer e nascer. A vida precisa ser vivida”.

Foi aí que ele abriu as janelas para a sala branca e vazia do início da vida, na qual tudo são pontos de interrogação.

Ela nasceu aos dezessete anos. Foi assim que surgiu no mundo: tendo nas costas a piedade divina e vivendo, em todo tempo, a mais profunda confusão.



Err... A pergunta que não quer calar: alguém entendeu alguma coisa? :) Eu espero que sim... :)
Tenho outros textos aqui e tem um que eu vou postar no dia em que eu for contar algo para vocês. Algo que talvez esteja prestes a concretizar-se e que eu certamente nao terei jeito de por em palavras. :)

segunda-feira, 20 de agosto de 2001

Para certas coisas não é preciso coragem nenhuma.
É preciso muita fraqueza, isso sim.
E eu, eu sou uma leoa...


Reflexões de hoje, pensando sobre a minha vida no colegio...

domingo, 19 de agosto de 2001

Eu tava aqui em frente ao micro pensando na minha vida... E ai resolvi fazer um balanço das coisas boas e até mesmo das ruins que tem acontecido na minha vida. Não só das coisas, mas dos valores, das descobertas... Vejam só como ficou:

Retrato do hoje

Palavra... desconstruir
Música... uma que é muito "baby maker": Portished, "glory box" (minhas perninhas tremem só de ouvir... hum.) e qualquer coisa do Chico. Beatles...
Leitura boa... Clarice Lispector, "Agua viva"
Redescoberta... a minha insaciável vontade de viver.
Prezando... os momentos com as minhas amigas.
Colocando para fora... cada vontade minha, seja de gritar, de ser sincera, de chorar, de falar.
Não quero perder... nenhuma chance.
Desejos... dos publicáveis, nunca perder a chance de ter uma boa companhia e aprender a "ser" sem pensar.
Queria... fazer os meus prezados entenderem que apesar dessa minha independência que eu gosto sim de atenção, mas nao de grude.
Primeira imagem ao fechar os olhos... o sorriso do gatinho deitado ao meu lado, após, digamos assim, a cópula.
Bom... o estreitamento dos laços de amizades.
Não posso mais viver sem... ah, essa minha vontade de experimentar...!
Voltei a fazer e não gosto da idéia... fumar nas baladas e ignorar certas coisas que me falam (e demonstrar que "caguei para a parada")
Não pretendo... Parar de chutar o balde e me forçar a qualquer coisa, por mais banal que seja.
Sou e sempre fui... Intencional e indecisa (libra+aquario dá nisso).
Do fundo... Nunca quero parar de me deliciar com poemas, prosas, livros, amigos e com os meus momentos (seja de escrever, de chorar, de gritar e de rir... sim, eu preciso de um pouco de solidão).

É, acho que isso é tudo o que eu lembro agora.
Que tal? :) Escrevam... :)
Não tirei A na prova da UERJ por 1 ponto.

sábado, 18 de agosto de 2001

Aos 17 anos, eu parecia me ver na maioria das passagens de "O diário de Bridget Jones".
O que será de mim aos 33, alguem pode me dizer?

O filme é bem divertido. Pra rir... Não é para pensar, viram?


PS: Amanha é a prova da UERJ. Desejem-me boa sorte.
Fundição Progresso foi o máximo. Tou sendo iniciada em váaaaaarios programinhas legais, graças as companheiras Maria e Rita. Chegamos lá meia noite, compramos combustível (leia-se vinho + cigarro), encontramos com as minhas amigas de infância na porta e entramos. Foi tranquilão, ninguém pediu identidade e nem tava muito lotado. Eu detesto lugares nos quais eu sou obrigada a simular a situação de uma sardinha em lata.
Forró, forró, forró. E eu nem sei dançar não. Sinistro isso... tou aprendendo, mas tá lento. Tem-se de treinar, ir a mil forrós, só que eu acho que nunca vou dançar com estranho dançando mal.

E estar numa night com as minhas amigas de infância e as amigas do colégio foi o máximo. Coitadas das primeiras, porque elas mandaram um caô enorme pra mãe dizendo que iam dormir na casa de uma amiga para irem no dia seguinte prum cursinho pré-vestibular do CEL (centro educacional da lagoa)... Centro educacional da Lapa, só se for... :) As coitadas ficaram na rua até meio-dia.
Esses tipos de pais sao os piores porque nós filhos jovens vamos invariavelmente mentir para poder conseguir sair para onde quisermos. Aqui em casa eu nem tenho desses problemas não. Falo na careta de pau para onde eu vou, com quem e como vou. Acho que meus pais já entenderam que não rola de me segurar em casa... :)

Eu fiquei com um garoto na fundição. Parece nada, mas isso tem um significado meio importante pra mim. Primeiro, eu nunca fico com garotos assim na night, de bobeira. Não vejo muita graça nisso, mas o sujeito era conhecido de uma amiga minha, era bonitinho e o papo tava bom, ai rolou. Segundo, mostra nitidamente que eu nao tou nem um pouco mais me sentindo comprometida com meu gatinho, que eu nem sei mais se estamos juntos ou nao (pelo nosso ultimo papo, a gente continuaria ficando). Tá punk. Tem um tempo que nós nao nos falamos. Eu gosto muito dele, mas nao quero me desgastar por algo que nao tá andando, tou deixando rolar mesmo, sem me importar. Mas no fundo, eu percebo que eu nao tou me sentindo envolvida com ele porque senao eu nunca teria conseguido ficar com outro cara. Eu mesma disse pro gatinho que eu nao consigo ficar com outro cara quando estou ficando serio com alguem. Furei minha propria teoria. Se eu me importo? Eu nao tou nem ai...

Sinceramente? Nem foi tao bom ter ficado com o sujeito. O beijo nao combinou, nem os anseios. Nada combinou direito. Foi um ficar besta, sem trocas de telefone, sem possibilidades futuras. O toque pelo toque. Ah, eu até gostei de saber de que nao teria mais de pensar nele, me preocupar. Demos uns beijos e pronto, nunca mais. É, tem algo que tá me agradando ai... Esse conceito de ficar vem de encontro com exatamente o que eu tenho sentido agora: vontade de ficar sozinha, sem ninguem no meu pé. Pena que o meu gatinho nao entenda que eu quero dele a mesma coisa que eu quero de mim... Merda. Por que os homens nao entendem/aceitam que uma mulher pode ter os mesmos anseios do que eles?
Resquícios de machismo? É, pode ser...
Sucks.

sexta-feira, 17 de agosto de 2001

Hoje: Lapa! :)

O post do dia será um pouco diferente... Ao invés de escrever contando o que aconteceu, eu vou deixar aqui uma prosa-poetica (eu tou com mania de prosas poeticas... leram "gritos motivados/inspirados por clarice" aqui no blog?) que define muito bem como eu me sinto... :)

É facil de perceber que eu tou comentando sobre a imagem errada que as pessoas tem de mim. Todos acham que eu sou menina certinha, boazinha, boa aluna. Eu realmente sou responsavel por isso; alimento isso, passo essa imagem. Quando me veem fazendo uma doideira, é um estranhamento geral. A imagem que alguns tem de mim, eu até faco questao de mudar. Mas a que outros tem, eu nem faço nao... :)

Então... Muito prazer, eu. :)


"Essa imagem errada que as pessoas tem de mim...! Me delicia, me instiga. Chocar, chocar fez-se palavra de ordem. Eu, caixinha de surpresas. Eu, menina ou mulher? Eu, sedutora ou seduzida?

O roçar de tuas mãos pelo meu corpo acende tanto desejo, acende meus gritos e a minha vontade de ter vontade e obedecer a todas elas. Louca, louca. Berro pelo meu berro surdo e introspecto que ninguém ouve, só eu, só eu. Eu embriago-me em ser e apenas ser. Para ser, preciso viver. Eu me alcoolizo bebendo direto dos vinhedos.

Minhas pernas tronchas e tortas desobedecem a mim; obedecem ao profundo eu e a essa vontade de encher-me de vida. Risos histéricos, alcoolizados, que ecoam. Onde ela está? Onde ela está? Busco e vou lá ver, vou lá correndo.

E tem esse bicho dentro de mim que grita para ser saciado e eu preciso sacia-lo. E lá vou eu... Eu corro. Essa vontade de viver, de ser e ver, que não pode mais viver na prisão do mero desejo; é o meu norte.

(É assim que eu me drogo.)"

quinta-feira, 16 de agosto de 2001

Hoje foi um dia lindo... :)

Confesso que no colegio foi meio sacal porque ainda tinham os boatos do churrasco pipocando aqui e ali e me incomoda um bocado ver amigas minhas sendo comentadas com tanta maldade. Mas quer saber? FODAM-SE todos os que estão fazendo isso. Sinceramente, não merecem sequer meu desprezo...

O bom mesmo foi a saída da escola. Recebi um convite da Maria para almoçar com ela e quando chegamos na porta do colégio, a Laura e a Rita haviam decidido ir conosco. Foi muito legal. A gente foi prum restaurante meio japa que tem umas áreas reservadas com tatames... Muito maneiro o ambiente.
E aí conversamos a beça... Eu contei várias paradas da minha vida para elas, combinamos a Lapa de 6a. feira (Mestre Ambrósio: alguem conhece? Eu não. Tou indo pelo passeio, mas pretendendo curtir a música) e no final, quando a Maria e a Laura foram embora, a Rita ficou conversando comigo.

Conversamos muito e sobre tudo. Fomos para o parque lage depois de um tempo. E ai, falamos de energia, relacionamentos, sexualidade... Demos um passeio no parque lage (boa sugestao de passeio, viram? é lindo!), tiramos fotos com o cristo redentor ao fundo e com a lagoa, dançamos. Foi ótimo para conhecer melhor uma pessoa que tá se tornando cada vez mais proxima e querida. Eu desabafei sobre várias paradas e ela idem. Foi uma tarde de catarse mesmo. Cheguei em casa me sentindo outra pessoa e mais feliz.

Chutar o balde do vestiba faz bem de vez em quando... O problema é que eu tou fazendo isso sistematicamente... Tsc, tsc. Deixa eu curtir um pouco porque eu mereço! :)

quarta-feira, 15 de agosto de 2001

Hoje lá no colégio ainda tavam rolando altos comentários do churrasco. Eu, não por acaso, era uma das mais comentadas por conta do meu perfil bebada.

Mas o que a galera comentava mesmo era o fato da volta, lá no fundao do onibus, ter sido GLS.
Fico meio puta com essas paradas.
É sempre assim... dizem-se os liberais e bla bla bla e na hora em que vê uma cena dessas, geral fica bolado. Claro que eu tenho de concordar que foi muita exposição e tal. Mas se bateu vontade na galera que fez, por que não? O que impede? Ficar na vontade por simples preconceito bobo? Nunca! Isso é que eu acho mais louvável: se permitir experimentar, fazer o que tem vontade. Nada a ver mesmo é o povo ficar comentando, escrevendo debaixo do nome do pessoal alusões às suas preferências sexuais. O que os outros tem a ver com isso?
E ainda vieram comentar comigo... Eu, que sou amiga de algumas pessoas envolvidas. Minha reação? "Ué, que que tem demais?" Queixos caiam...
Putz... sem comentários.


Para terminar, um texto com questões bem interessantes, retirado do Evasão de Privacidade

UMA ODE À CONTENÇÃO:

E aquele personagem de Oscar Wilde, que, aos sessenta anos, calou a boca para sempre, porque já havia falado tudo o que existia de minimamente interessante?
Um modelo.

As pessoas nunca deveriam falar mais do que vinte minutos. Este é o potencial de interesse do ser humano.

A boa literatura tende ao zero absoluto. Começou com a épica grega. Terminou, como se sabe, no slogan publicitário. O futuro?

O futuro é o hai-kai. A poesia silábica. Nossas conversas encurtam a cada dia, e isso é ótimo: nossas idéias encurtam também, e isso é legal porque agora cabem na pochete.

Raros livros merecem ter mais de cinqüenta páginas. Talvez a lista telefônica.

'Escrever, hoje, é cortar palavras', disse Drummond. Mas qual o motivo para este estado de coisas? A velocidade pós-contemporânea? A falta de tempo da civilização industrial?
Nada disso. É que finalmente se descobriu que a humanidade não desperta interesse por longos períodos.

O namoro: preenche-se os intervalos de tédio com sexo e briga. A amizade só não é maçante porque desaparecemos sem motivos. Por que a família é ruim?, porque há que se conviver quando não há mais assunto, e não se pode trepar.

A cada dia, Paulo Mendes Campos ganha mais sentido.
'Executados os exercícios da dor, os ofícios humanos se arrastam numa gelatina desculpavelmente ridícula'.

A verdadeira poesia contemporânea chama-se telegrama.

Ainda bem que inventamos a desculpa de estarmos apressados.

terça-feira, 14 de agosto de 2001

Signos e outros papos sobre "esoterices"

Eu tou sempre procurando na net coisas que tenham a ver com o meu signo. Acho que é uma tentativa de me convencer de que há um fundamento de verdade nisso. E eu acho que realmente há. Logico que temos de diferenciar um pouco as coisas... Uma coisa é horoscopo de jornal, outra coisa é um estudo serio e aprofundado sobre signos.
Senão, teriamos de admitir que cartomantes nunca acertam num jogo. E eu, como cartomante, já acertei vários jogos e até parei de jogar um pouco por causa disso - vai que um dia eu acabasse vendo uma morte? A questão é distinguir o que é serio do que é pura exploração da crença alheia... É isso que NUNCA podemos confundir, viram?

Bom, mas eu selecionei esse texto aqui sobre o elemento "ar" que é presente no meu signo. Selecionei porque tem muito a ver comigo... Vou até colocar as frases mais relevantes em itálico. Quem nao concordar, berra. Hehehehe
Ah, o texto veio daqui

Os signos de Ar (Gêmeos, Libra e Aquário) são os civilizados do Zodíaco. São extremamente comunicativos e tendem a se intelectualizar. O mais fácil para eles é lidar com o raciocínio abstrato. Têm a mente lógica e aberta a novas idéias. A marca principal dos signos de Ar é que não têm nenhum tipo de preconceito, estando sempre antenados com as coisa novas do mundo. As vezes você achará que eles não estão muito atentos às suas coisas, pois eles têm o aspecto de estarem permanentemente desligados.

Eles são assim mesmo, meio aéreos, e dão a impressão de serem meio frios afetivamente. Claro que eles se ligam às pessoas, mas em nível mais intelectual. Têm sentimentos, mas essas coisas que falam de emoção, tristeza e dor não é com eles. São mais descomplicados, é claro... é lógico, e você vai escutar sempre esta expressão deles. Ao conversar e conviver com eles sempre haverá a sensação de que eles não tomam partido nos assuntos, mas sempre colocam suas opiniões, que nem sempre são as que estão em pauta. Eles adquirem um ar de neutralidade que às vezes irrita as pessoas. Não espere que um signo de ar fique abraçadinho e ou aos beijos e abraços. Se eles estão interessados em você, eles estarão ao seu lado, é claro. Todos são meio crianças e são tímidos por natureza, ou melhor, tímidos no que se refere a sentimentos, porque fora isso eles se espalham em qualquer ambiente que passe pela sua análise inicial de interesse. Por conta desse grau de intelectualidade e racionalidade sempre presente, paira um ar de superioridade intelectual ao seu redor. Têm como chave a razão porque racionalizam as coisas, acontecimentos e pessoas. Usam o pensamento porque elaboram intelectualmente suas atitudes e relacionamentos. Podem ser frios e não ter o mínimo de praticidade, ficando tudo no campo das idéias. Em muitos casos eles podem ser subjetivos, o que amplia ainda mais o distanciamento que eles têm das pessoas “normais”. São signos de relacionamento e sem eles o mundo ficaria muito igual, muito quieto e enfadonho. Para o Ar é importante PENSAR. (Penso. logo, existo).

Dicas: disciplina mental, estudos regulares, descanso para recuperação do raciocínio lógico.
Palavra-chave: razão


Para terminar o dia bem, eu vou deixar uma música fofíssima aqui pra vocês. Nossa, tou louca pra voltar pra Lapa e curtir uma boa roda de samba... :) (E de quebra, dar uns bons beijinhos na boca)

Samba de Orly
(Vinicius de Moraes - Toquinho - Chico Buarque/1970)

Vai meu irmão
Pega esse avião
Você tem razão
De correr assim
Desse frio
Mas beija
O meu Rio de Janeiro
Antes que um aventureiro
Lance mão

Pede perdão
Pela duração (Pela omissão)*
Dessa temporada (Um tanto forçada)*
Mas não diga nada
Que me viu chorando
E pros da pesada
Diz que eu vou levando
Vê como é que anda
Aquela vida à toa
E se puder me manda
Uma notícia boa

* versos originais vetados pela censura

E no sétimo dia, antes de descansar, Ele criou o Engov®

Yesssss!!! O churrasco da formatura foi muito legal. Foi em Itacoatiara, em Niterói, num clube lindo de frente para uma das praias mais bonitas que eu já vi. Deu tudo certo lá (leia-se o ônibus não pegou fogo ou a empresa de ônibus se esqueceu do dia, como nas viagens anteriores).

A comida foi liberada, a bebida liberada... Comi demais. Num tou nem com fome agora, só pra vocês terem uma idéia.
Claro que a parada mais irada foi a integração entre a galera. Putz... Muito maneiro. Conversei com todo mundo, fiz a maior social. (Hahahaah que frase mais cheia de gírias!).
E ainda consegui burlar as regras do clube e fiquei mor tempão vendo o marzão do alto de uma pedra lá... Do ponto onde eu estava, deu para ver tartarugas marinhas!!! Um bando delas!! Maravilhosas lá, nadando e colocando vez por outra seu pescocinho pra fora...

E voltei torta pra casa, de tanto encher a cara de vinho. Eu me distrai na hora em que eu tava bebendo e o vinho era aquela parada meio doce e entornei 2 em menos de 5 minutos. Conclusão... Na hora que subiu, eu fiquei realmente alta. Aí geral foi rir com as minhas palhaçadas. Ainda bem que eu não sou uma bêbada chata, nem daquelas que paga micos sinistros. Não. Eu só falo muita besteira e como eu não tava totalmente bebada, ainda tinha algum discernimento do que eu tava fazendo/falando. Ufa.

Quando eu cheguei em casa, eu tava fazendo tudo atrapalhadamente por causa do alcool. Minha mãe até comentou na hora em que eu fui desejar boa noite para ela: "Bebeu muito, hein? Tá com um cheiro de alcool..." E o que dá mais raiva é que eu so tinha bebido 2 copos e 1/2 de vinho... Só que eu entornei rapido e so fraca pra bebida... Que merda, hein???

domingo, 12 de agosto de 2001

Não sei se vou estar viva depois de amanha. Não, isso não é uma carta suicida. É que amanhã é o churrasco dos formandos do meu colégio e até onde eu sei sera num clima de "sexo, drogas e rock and roll". Para mim, lá no churrasco, só rock and roll mesmo...
Até porque eu não faço esse TIPO de coisa. Heheheh. Quem vê até pensa. Mas é serio... Eu num fumo maconha não. Confesso que tenho lá minhas quedas por cigarro de bali, mas dispenso qualquer outro tipo de cigarro. Sei lá, me dá muita aflição a idéia de fumar maconha e ficar meio alta; a possibilidade de não ter total controle sobre as minhas ações me assusta. E depois que eu vi a galera doidona lá na Lapa, definitivamente, não tou nem pretendendo experimentar maconha não.

De qualquer forma, o churrasco, segundo os organizadores, constará de 3 momentos: maconhasco, churrasco e luau. É... Vai ser dureza.


Eu ainda não estudei física e minha prova é na 3a. Sendo que amanhã tem o churrasco... Resumindo: tou fudida e tou andando pra essa questão. Primeira vez que eu não tou com tudo estudado e não tou preocupada. Não tou mesmo... Vou dar uma olhada aqui na matéria e o que rolar, rolou. Que se foda essa porra dessa prova de física. Argh.

Ah, Maria... Eu acho que 'ce tem razão: eu tou mesmo ficando ninfomaníaca.
Não, eu tou ficando é barroca. Como é que uma pessoa pode conciliar a minha "ingenuidade" (sim, as vezes eu sou meio ingênua...) e a ninfomania? Te parece impossível? É porque você ainda não me conheceu... :P

Na realidade, a questão gira mais ou menos em torno do seguinte:

Pensando Bem

Eu estava pensando:
Pra gente parar de sofrer
Precisa parar de pensar
Eu estava pensando

(Duda - ex aluna do meu colégio)


Não parece, né? Mas eu tou sofrendo muito por várias questões. Só não quero falar aqui sobre elas. E também porque eu sei que quando eu falo alguma coisa, eu admito para mim mesma essa coisa e acaba só contribuindo para que ela seja superdimensionada. E eu já sou uma mulher hiperbólica...
Barroco!
Eu ando fazendo coisas tão estranhas, coisas que eu nunca faço mesmo. Fui assistir a um espetáculo no CCBB que constava de árias barrocas sendo interpretadas de uma forma modernosa. Muito legal mesmo. A interpretação dos caras tava ótima, a orquestra tava linda... E o que que é o som de um cravo? É lindo demais! De quebra, ainda descobri que diabos é um oboé. Gente, é um instrumento de sopro. Não sabia não... Só sei que o curso com a menor relação candidato/vaga da UFRJ e que tem 1 única vaga. :P
O espetáculo é bem legal porque tira o formalismo que tem a maioria das apresentações de ópera (?), dando mais movimento às cenas e menos formalidade. Coisa que até quem não é "iniciado" consegue gostar.

Depois estávamos lá... Eu e a Maria em pleno centro da cidade num sábado à noite. Lindo. Tudo deserto e meu medo fazia com que não passasse nem agulha com britadeira. Batemos em retirada até o ponto de onibus mais próximo. Até que o ponto não tava tão bizarro não.. Tava bem iluminado, tinha um mc donalds perto e bastante gente, inclusive outras meninas na mesma situação que a gente. Finalmente conseguimos pegar o onibus e fomos para o Jardim Botânico.

No trajeto, eu e a Maria fomos conversando assuntos para deixar qualquer pai de família de cabelos em pé. Coisas bizarras do universo feminino mesmo e mais bizarras quando dialogadas por duas maluquetas.
Putz e que revelação sobre o gosto de homens dela. Fala sério. Ela só gosta de uns tipos muito esquisitos, mas em compensação, ela gosta de todos os que eu gosto. Putz de novo.

Tablado
Fui assistir a mostra de esquetes do tablado por causa de uma amiga nossa, que trabalha numa das esquetes. Ela trabalhou muito bem e tals. Mas, eu nem achei a melhor esquete nao. E olha que eu sou a maior baba ovo dos textos do Luis Fernando Veríssimo, tenho até Comédias da Vida Privada e já li algumas crônicas várias vezes.
As melhores mesmo foram a do Dick Tracy e uma outra que falava de estupro. A primeira, colocava personagens do Dick Tracy para atuarem apenas em função da música, sem proferir nenhum diálogo. Ficou ótimo, super cartoon. A última, falava sobre uma coisa horrorosa que ainda acontece direto na nossa sociedade... Estupros. O legal foi que eles colocaram os personagens vestidos com trajes tribais, relacionando estupro com coisas primitivas. Isso foi foda. E o texto era algo lindo, de babar mesmo. Eles nem contaram a parada de uma maneira triste não, mas deu para passar toda a idéia e emocionar mesmo.

Depois de ter encontrado com meu ex-namorado e meu ex-melhor amigo (sim, eu tenho um ex melhor amigo. Pasmem.) e feito uma social com a galera, eu fui comer cachorro quente no select com a Maria. Tudo para ficar bem longe de lá. Blah. Ficou um climinha meio chato depois de um tempo de social. Enquanto a Maria comia e eu bebia um refrigerante, acabei refletindo sobre várias paradas que me deixaram muito bolada mesmo.

De lá eu fui prum ponto de onibus na Lagoa. Tava sozinha e tudo estava deserto ali. Mais um momento de panico. Desisti de esperar o onibus em função do medo e peguei um táxi até em casa. Quase achei que era melhor ter esperado pelo onibus. Pensei que o cara do táxi fosse me sequestrar! Ele tava me comendo com os olhos, dando em cima de mim descaradamente, forçando diálogos. Nem pedi prele entrar no meu condomínio não. Eu, hein. Vai que ele era tarado mesmo. Tá, eu acho que tou viajando.

Frase do momento
Essa foi tirada de uma matéria ne revista domingo com Fernanda Young e Alexandre Machado. A pérola é da Fernanda.
"Depois da gravidez tenho feito um esforço incrível para ficar igual aos outros. Antes eu tinha uma coisa guerreira de ser diferente. Agora quero ser igual. Por isso não temos rancor nem humor jocoso. Os normais somos nós tentando nos adequar. Sou eu frequentando a pracinha" [OFF: ela leva as filhas todo dia para a pracinha.]
Caraca, eu partilho desse sentimento dela...

Outros
Pensei no meu relacionamento com o gatinho enquanto a Maria comia no posto de gasolina. Tá trevas, tá horrível.
A gente se dá muito bem em determinados aspectos, mas ele tem se mostrado um egoista de primeira, coisa tipica de filho unico (e dai? eu também sou filha unica e nem por isso sou tao egoista). Alias, eu acho que nem quero falar sobre isso não. Mas cresce a cada momento a vontade de dar um chutão na bunda dele e uma raiva colossal por certas paradas cruciais que vem acontecendo. Argh.

Incrível como a gente vai levando a nossa vida e custa a parar para perceber o que tá sentindo. Foi tanta farra como válvula de escape que eu nem percebi como esse assunto me incomodava.

Merda, preciso resolver isso. Mas como? As coisas são simples? Não... 'ces é que pensam...

Por essas e outras hoje é dia de promoção "me elogie e leve um tiro"...


PS: Os blogs do Desembucha voltaram! Aproveitem para conhecer Evasão de Privacidade e Cantinho Terrorista.
PS2: Criei uma rádio pra mim lá no Usina do som que tem o super criativo nome "Micasa". Quem quiser ouvir, chega lá... Ainda tá em montagem... :)

sábado, 11 de agosto de 2001

A Jaca

Caramba, o que que foi a minha noitada na Lapa? Foi o máximo! Adorei mesmo.
Muitas Lapas ainda virão.
Eu nunca tinha ido lá não, então eu acabei sendo "desvirginada" de Lapa. Eu e as meninas (Maria e Rita) começamos no Carioca da Gema, só curtindo a musiquinha do lado de fora e arriscando uns passinhos de samba (Tá pensando que toda carioca sabe sambar, é?). Depois fomos fazer um tour básico e passamos pelo Semente, onde tava tocando salsa. Mais adiante, tinha um barzinho de reggae. Em outro ponto, a galera do forró. Quando passamos mais por perto dos arcos, tinha funk. No Sinuca, tava rolando metal. Putz, estudo antropológico total. Recomendo mesmo. Tinha ali representantes de todas as galeras possíveis, na maior integração e eu não vi nenhuma confusão.

Alias, confusão eu vi sim... Quando a polícia se aproximou de uma escadaria que é o maconhodromo e botou todo mundo pra correr. Depois, um policial subiu a escada com um fuzil na mão. Ri-di-cu-lo. Parecia que vivíamos clima de guerra civil.

Mas, não passou disso. Tomei muito vinho até ficar meio precária, babando na minha blusa branca e rindo sozinha, feito uma condenada. Depois fumei meu cigarrinho de bali... Quantas saudades que eu tinha dele! Diliça. E fiquei lá conversando, discutindo poesias e falando do local com a Rita, enquanto a Maria falava com metade da Lapa.
Parece nada, mas foi tudo.

E o que que foi a Rita tentando se desvencilhar de um mala passando cantada? Ele: "Da onde você é?". Ela: "Pasárgada". Ele: "Onde fica isso?" Ela: "Po, num lugar bem distante da sua realidade." A essa altura do campeonato, eu estava aos risos histéricos e nem deu para disfarçar... Ela falou mais umas nesse nivel e ai o cara se mancou e partiu.

Na volta, pegamos um taxi pro Flamengo e fomos prum restaurante muito pé de chinelo comer pizza brotinho e banana split. Saimos de lá com o lugar fechando. E ai estávamos nós, 3 mocinhas elegantes, voltando a pé para casa, morrendo de medo. Foi a cena.
Chegamos e dormimos em extase.
Só ficou faltando mesmo pra completar a noite, uma boa dose de sexo.

sexta-feira, 10 de agosto de 2001

Dia seguinte...

É. Hoje é um dia meio dificil. Tou sem vontade de fazer muita coisa e decidi respeitar isso. Por outro lado, resolvi me mimar um pouco e fiz tudo o que eu senti vontade de fazer... Ai leia-se: escrever, chorar, pensar, comer e estar perto dos amigos. Vou matar o cursinho e ficar em casa cuidando um pouco de mim porque nao tem mesmo clima para estudar. Várias vezes eu quase chorei durante a aula. Mas, na hora em que ficou brabo mesmo, uma amiga minha sentou do meu lado e a gente ficou conversando e comendo brigadeiro. Valeu mesmo, Rita.

Gato

Hoje foi mesmo engraçado no colégio. Nós assistimos a todas as aulas com um filhote de gato na sala. O gato ficava no colo, dormia quase que semi-dopado, comia biscoito de polvilho, bebia agua na tampinha de garrafa, andava por trás dos professores, atrapalhava a aula porque as meninas gritavam para ninguem pisar no gato e quando ele fazia uma coisa fofinha, era uma comoção geral. Hilário e patético. Não sei dizer ao certo qual dessas coisas é predominante. Mas vou ser mais uma vez repetitiva... Coisas que só acontecem no meu colégio.

Reflexões sobre morte

O problema maior não é a morte do meu tio em si e sim a percepção de que nós não somos nada, apesar da nossa incrível prepotência. É o desamparo ao qual estamos sujeitos desde que somos arrancados do ventre de nossa mãe. É ali que a jornada começa... Para vencer esse desamparo, a gente se relaciona. O homem é um ser social e um dos fatores vem daí. Mas ai você que tá aí vivendo a sua vida, numa boa, de repente tem um curto e sai do ar. Pronto, acabou. Você deixou de ser. Será que você fez tudo o que queria ter feito? Será que deixou algo por fazer? Uma palavra que você queria dizer para alguém e ficou para o eterno "amanhã"? Uma pessoa de quem você gosta muito e nunca chegou a dizer isso? É, nós precisamos mesmo aprender a dizer as coisas que sentimos na hora em que sentimos. Um dos motivos é esse...

Outra coisa... Pensei em escrever meu testamento logo. Doido não? Mas é serio. Poxa, tem mil coisas que eu queria poder dizer para certas pessoas e objetos pessoais que eu gostaria de deixar para esta ou aquela pessoa. Acho que eu quero ficar velhinha e morrer como a minha madrinha, de enfarte. Mas, ela sabia que ia morrer na semana que ia morrer. Pensa que ela pirou? Nada. Fez o que ela queria fazer, ligou para quem ela gostaria, se "despediu" do marido (logico que ela nao contou que ia morrer para ele). E morreu feliz... :)

Acho que a onda é essa...

Lapa

E por falar em onda, eu vou pra Lapa hoje. Eu, Maria, Maria Rita e não sei mais quem. Vai ser foda. As meninas deram pulinhos de alegria quando eu falei que ia com elas.
As vezes eu me sinto meio mal porque eu sempre acho que não correspondo às expectativas das pessoas e acabo nunca mostrando direito o quanto eu gosto delas. Mas é uma coisa minha mesmo. Apesar deu sentir, tenho uma grande dificuldade em demonstrar. Não sou uma mulher de toques. Acho que já até falei disso aqui...


Para terminar o dia, uma letra de música do Caetano... Eu acho que atualmente ele é a mais clara definição de pessoa pretenciosa, mas tenho de admitir que ele tem muita coisa boa.

Qualquer Coisa
Esse papo já tá qualquer coisa
Você já tá prá lá de Marrakesch
Mexe
Qualquer coisa dentro, doida
Já qualquer coisa doida
Dentro mexe
Não se avexe não
Baião de dois
Deixe de manha, 'xe de manha, pois
Sem essa aranha! Sem essa aranha!
Sem essa, aranha!
Nem a sanha arranha o carro
Nem o sarro aranha a Espanha
Meça: Tamanha! Meça Tamanha!
Esse papo seu já tá de manhã

Berro pelo Aterro
Pelo desterro
Berro por seu berro
Pelo seu erro
Quero que você me ganhe Que você me apanhe
Sou o seu bezerro
Gritando mamãe
Esse papo meu tá qualquer coisa
E você tá prá lá de Teerã

quinta-feira, 9 de agosto de 2001

Meu tio faleceu ontem.

Luis Oscar Rodrigues Jobim

1946 - 2001


Momento poesia
Não era nem essa que eu queria colocar aqui sobre o assunto não, mas eu não tou achando outra. Essa tem mais a ver com a minha maneira de encarar esse tipo de situação...

PNEUMOTÓRAX

Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi,
Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:
- Diga trinta e três.
- Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
- Respire.
..................................................................................................
- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo
e o pulmão direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
(Manuel Bandeira)


quarta-feira, 8 de agosto de 2001

Gritos motivados/inspirados por Clarice
A F.B.

Roubei dos teus olhos as mais belas palavras que eu poderia te dizer. Mas não disse. Calei todas dentro de mim para poder ouví-las sussurar e beijar todo o meu corpo pedindo para sair. Cheguei a sentí-las beijando minha boca, minha virilha. Beijavam o mais profundo.

Dentro de mim, luzes bruxuleantes. Tremiam e apagavam-se quase e reacendiam motivadas pelos gemidos loucos e pela pulsação delirante dos teus batimentos cardíacos.

Eu, como peixe, nado nas profundezas fugidias do que eu sinto. Sou agora toda inconsciente e é por isso que me respeito dentro dos meus delírios impalpáveis. Descrições para além da palavra.

"Não gosto quando pingam limão nas minhas profundezas e fazem com que eu me contorça toda", diria Clarice. Eu já gosto de tudo isso e me contorço proferindo grunidos como os emitidos por uma fêmea em trabalho de parto.

E eu, eu estou parindo a mim mesma e ao mesmo tempo, sai da minha placenta (e das minhas entranhas) os dejetos do que já fui. Vomito-me toda.

É assim que, parindo-me dolorosamente parte a parte, eu parto e deixo o ato sem sua atriz principal. Eu sou o palco vazio.

terça-feira, 7 de agosto de 2001

Putz, tou com saudade dos blogs do Desembucha! Que diabos de troca de servidor que não termina nunca...!

Enquanto isso, nao podemos ler:
Loser, Evasão de Privacidade nemCantinho Terrorista. Snif, snif. Esses blogs fazem parte do conjunto de blogs que eu visito diariamente... :)

Ah, para quem quiser saber noticias das Delicias Cremosas nos jornais, é so dar uma olhadinha na página da Zel. :)


Momento Poesia... :)
Hoje: Manuel Bandeira

EPÍGRAFE

Sou bem-nascido. Menino,
Fui, como os demais, feliz.
Depois, veio o mau destino
E fez de mim o que quis.

Veio o mau gênio da vida,
Rompeu em meu coração,
Levou tudo de vencida,
Rugia e como um furacão,

Turbou, partiu, abateu,
Queimou sem razão nem dó -
Ah, que dor!
Magoado e só,
- Só! - meu coração ardeu:

Ardeu em gritos dementes
Na sua paixão sombria...
E dessas horas ardentes
Ficou esta cinza fria.
- Esta pouca cinza fria.



Vou colocando poesias do Bandeira aqui até me dar por satisfeita... Espero que vocês gostem.

Eu *adoro* essa coisa que as pessoas tem que são capazes de detonar o dia alheio. Minha mãe então... Tem esse dom. É porque só pode mesmo ser um dom, para funcionar com tamanha perfeição.
Cheguei toda feliz em casa, depois da excelente terapia, crente que iria tomar um banho, comer, descansar para voltar a estudar. Quando eu entro no meu quarto me deparo com o que? Com todas as minhas coisas no chão!
Isso mesmo... Minha mãe tacou tudo no chão. Ela sempre faz isso quando *acha* que tá bagunçado demais. Só que a minha noção de bagunça é muito diferente da dela e não tinha porra nenhuma de bagunça. Só umas coisinhas em cima de mesa. E até porque, meu quarto já foi daqueles impossíveis de se entrar.
Pois é. Se fosse só pelas coisas no chão, eu ainda estaria feliz. Sabe o que a desgraçada fez? Deixou balde e aspirador de pó para que eu mesma arrumasse o quarto e de quebra, o banheiro. Isso tudo sabendo que eu ia chegar morta e provavelmente tendo de estudar pra cacete. Isso é que me dá odio. Tem empregada nessa casa, porra. Por que diabos eu tenho de lavar banheiro e arrumar o quarto se só deixei coisinhas de nada fora do lugar?

E sabe o que é pior? Que eu não posso fazer nada quanto a isso...
Eu vou simplesmente arrumar tudo, passivamente.
Sabe por que? Porque senao ela vai inventar uma chantagem louca ou a gente vai brigar de sair tapa.
Alias, a gente vai brigar inevitavelmente porque essa porra tem de acabar.

Vou dar uma de maluca e fazer que nem eu fazia com outras coisas. Fazia com ela também. Fez barulho num domingo que eu tava dormindo? Fiz barulho num em que ela estava dormindo. Pronto, num instante parou de merda.

segunda-feira, 6 de agosto de 2001

Tou muito cheia de erotismo para escrever qualquer coisa hoje... >;->

domingo, 5 de agosto de 2001

Putz.

Não sei se vocês repararam como a nossa sociedade tem uma grande dificuldade em lidar com a questão da morte. Isso em parte vem da nossa formação cristã, que vê a morte como o juízo final... Grande dia de decisão entre céu e inferno e faz com que amarguemos missas atrás de missas por conta de uma "alma". Não tou questionando a existência ou não de alma. Tou questionando exatamente a necessidade de se ruminar a morte de uma pessoa.
Morte é parte da vida. Morte é fim do ciclo. Não deveria ser tabu; as pessoas precisam entender que alguém se foi porque já viveu o que tinha pra viver. Claro que isso fica muito mais dificil quando tratamos de um acidente e aí, certa dose de dificuldade em digerir a morte de alguém é perfeitamente compreensivo. É normal também que tenhamos luto, tristeza.
Agora... Pra que tantas missas? Pra que tudo isso? Tudo isso só faz lembrar e aumenta o luto, relembrando. Esse constante relembrar vai tornando cada vez mais difícil encarar as coisas com leveza, porque a maioria das religiões trata a morte com uma mão muito severa.
Definitivamente, precisamos lidar melhor com a morte. Mas seria preciso uma mudança de mentalidade para transformar esse tabu em totem. De qualquer forma, pensem nisso.

(Na linguagem psicanalítica, transformar tabu em totem significa mais ou menos aprender a lidar com aquilo que era um problema seríssimo.)

Prazos, produção, organização, disciplina e criações

Esse link vai pro puto do meu gatinho. Puto mesmo porque por conta da sua bolsa de iniciação científica e da entrega dos trabalhos para mante-la, não consegue vir me ver há 2 semanas (Er, a gente mora meio longe e tem uns horários que não batem).
Chama-se Lei de Parkinson a "O trabalho expande-se de modo a preencher o tempo disponível para sua realização." Eu sempre digo essa porra para ele, mas sua produtividade é trocentas vezes pior do que a minha. Eu ainda consigo terminar trabalhos dias antes da entrega, mas ele tá sempre terminando às vesperas do prazo, na madrugada, na manhã da entrega, minutos antes...
Falta de organização total de tempo... Eu sou otima em organizar meu tempo, o que atrapalha é a minha preguiça. Mas se eu tiver de fazer algo, eu faço.

Mario Quintana sabiamente dizia "O que atrapalha a minha preguiça atrapalha meu trabalho."

O ócio é um aspecto importante da produção intelectual humana... Imagina só se Einstein tivesse um tanque de roupa para lavar. Imagine se Leonardo da Vinci tivesse de trabalhar para sustentar 10 filhos ao invés de viver às custas de um mecenas? Pensando nesses caras e em muitos outros que contribuiram para o avanço da humanidade, podemos concluir que estaríamos na idade média tecnológica se não fosse por uma dezena de caras que nada tinham a fazer além de coçar o saco.
Para confirmar, basta lembra-los que a maioria dos trabalhos cientificos desenvolvidos até o inicio do século e que tiveram repercussão foram realizados por homens. Por que? Porque suas mulheres certamente estavam em casa... Lavando suas roupas, fazendo sua comida e cuidando de seus filhos...
Pensando nisso tudo, só posso propor um viva a revolução feminina.
Hahahahaha

Recebi um mail muito legal hoje, de um leitor do meu blog. Ele respondeu o meu "Escreva para mim! ;)" que fica ai do lado usando a minha forma de escrever. Achei o máximo, muito legal. Olhem só:

"29anos + homem + carioca + designer + aquário, ascendente em aquário + 1,85m de altura + 95kg + cabelos e olhos pretos + política? + rock pesado + TOOL + Static-X + Pantera + Dave Mathews + Violeta de Outono + RPG + Drummond + Pintura + Artes plásticas + História + Ciência + Esportes + Álcool (bem bebido, sem excesso) + ex-atleta + detesto praia."

Legal, né? Um beijo proce, fofo :).


Meus amigos tão virando celebridades... :) A Zel saiu na folha de Sao Paulo. Eu ainda não vi e por isso, não sei o link (também não tou numa de procurar... sorry). Quando eu tiver o link, eu coloco aqui, ok? Sei só que é mais uma matéria sobre weblogs.


Ah, as Delicias Cremosas tão de volta e com a corda toda. O assunto da roda é motel. Tá bem legal. Meninos, leiam... :)

sábado, 4 de agosto de 2001

Há dois dias estou com uma poesia na cabeça, martelando e pedindo para virar palavra. Mas só agora tive tempo de coloca-la no papel. Claro que ainda não é nada definitivo. É dificil traduzir sentimentos em palavras.
Era mais fácil que vocês olhassem nos meus olhos para entender...

Amor em pecado

Amo-te silenciosamente
Apesar dos dias e da distância por nós criada
Digo-te em confissão:
Vez ou outra surpreendo-me
Pensando em desistir
E aí repreendo-me
Antes mesmo que o pensamento vire palavras
Repreendo-me
Com a força de uma católica fervorosa
Por ter ousado quebrar
O único mandamento que me permito ter,
Amor.


Preciso dizer para quem escrevi? ;)

sexta-feira, 3 de agosto de 2001

Hoje eu tava lendo uma reportagem numa revista com um cara que é estudioso do amor e considerado o pioneiro da terapia sexual no Brasil. Achei algumas passagens tão legais que eu acabei selecionando, algumas por concordar e outras por mera identificação. Aqui vai... :)

Época: O que é amor?
Flávio Gikovak: Amor tem a ver com a experiência traumática do nascimento. O bebê registra no útero da mãe, o bem-estar mais intenso e genuíno. Nascer é romper com o aconchego, é defrontar-se com a definitiva sensação de desamparo. Vivemos, e amamos, sempre na tentativa de recuperar o elo perdido.
Época: O que é sexo?
Flávio Gikovak: É a inquietação auto-erótica. As pessoas buscam o prazer para si mesmas. Na verdade, o sexo é uma experiência profundamente solitária. O orgasmo chega a travar o pensamento dos amantes.
Depois do orgasmo, tem-se uma sensação de vazio. O ideal, então, é que o amor volte a funcionar. Quando o casal atinge o clímaz e, minutos depois, se abraça amorosamente, significa que ambos voltaram a se aconchegar, a se amparar. É como se mudassem de registro. Parabéns para quem consegue. Mas não é fácil.

quinta-feira, 2 de agosto de 2001

Gente, o CEP 20000 foi foda! Uma experiência de vida, mil vivências mesmo. Num dá pra descrever o que foi, só estando lá para SENTIR qual foi a onda da parada. Era aniversário do CEP, 11 anos... E por isso, foi uma apresentação especial que contou com poesias de ilustres anônimos e famosos, dando o ar de sua graça e alma.

Lindo...
Dos anônimos, o mais foda foi um tal de "Baia" que parecia conversar com a gente e do nada, entrava com uma poesia ao violão e a gente nem sentia... Parecia que ele continuava falando. Bem-humorado, nada de letras de músicas mal humoradas. O cara tava mesmo é poetando ao violão.
Dos ilustres, teve a Talma de Freitas tocando com o pai, que também é um famosão arranjador e maestro. Eu é que sou besta e não lembro o nome do cara, apesar da Rita (minha amiga) ter me repetido várias vezes. Enfim, o que importa é que eles formaram uma dupla e tanto. O cara arrasou no piano e ela, na voz. Ela encantava a gente com pequenos gestos e nuances de voz, dancinhas leves e ligeiras. Lindo. Fiquei emocionada.
Quando eu pensei que a minha emoção já tava por terminada, entrou a Leandra Leal e uma garota, cujo nome também não me lembro. A garota tocou piano e a Leandra interpretou um texto que ela fez para aula de filosofia da faculdade. Lindíssimo. Era assim... bem Clarice Lispector. Muito emocionante. Eu nem me liguei muito no texto não, fiquei pensando e vendo mais foi a atuaçãi dela... Que presença de palco incrível! Ela ocupou um semi-circulo que nos abrimos entre a parte platéia que tava no chão e ocupou todo. Ela ocupava tudo, o espaço, o tempo, nossos olhares, nossos sentimentos... Como ela mesma disse no texto, ela criava vários mundos, dentro de cada um de nós. Obvio que ela foi muito mais poetica do que isso, mas é o que eu consigo transmitir para vocês, da melhor forma que posso.

O único problemito é que eu tou um cigarro só. É que geral tava fumando cigarro lá. Dá pra sentir meu cheirinho de longe... :P Arght!

Para quem não sabe, o CEP 20000 é um centro de experimentação poetica, que conta sempre com a presença de alguns famosos e algumas bandas. Tem também momentos de palco aberto para que os anônimos possam declamar suas poesias ou tocar suas musicas. Rola lá no espaço cultural sergio porto, no Humaita e custa R$2 até as 19:30 (acho eu).

Bom, é isso. Vale MUITO a pena.
Tou com uma TPM brabíssima hoje. Meu olhar rosna quando alguém vem me dizer "oi". E não é proposital não... Eu tento me controlar, não dei nenhuma "patada" em ninguém até agora, mas também não tou demonstrando a menor simpatia. Num dá. Hoje tá pessimo.

Já que tá tudo uma merda e eu não vou conseguir estudar direito mesmo, chutei o balde. Vou sair com o povo do colégio pra ver umas paradas de poesia, um tal de CEP 20000, que rola lá no centro cultural Sergio Porto. Não sei como é, porque nunca fui. Mas, eu conto procês, prometo.

Bom, vou lá... TPM não me permitindo escrever mais... :P

quarta-feira, 1 de agosto de 2001

Hoje eu comecei a ler Clarice Lispector... Um livro chamado "Agua Viva". Alguém já leu? É que eu tou tentando seguir a minha meta de ler pelo menos 1 livro a cada 2 semanas. Tudo isso ainda por conta do tesão literário que me acometeu depois que eu terminei de ler "O apanhador no campo de centeio", muito bom, por sinal.

Eu nunca tinha lido nada da Clarice. Ontem, falando com o gatinho no telefone e comentando sobre um trechinho que eu tinha lido do livro, eu disse a ele que ela era meio sentimentalóide. Não é. Eu tava enganada. O gatinho obviamente ficou surpreso com a minha opinião e quase que decepcionado. Mas foda-se. Opinião é opinião. Acho que o importante mesmo é não falar sem conhecer, o mínimo que seja. Tou lendo o livro e mudei de idéia. Ela é foda.

Foda em 2 sentidos... Primeiro, pela dimensão do que ela fala, pelo que ela fala mesmo. É tão profundo e ao mesmo tempo proximo do meu mundo, que eu tou encantada. Segundo, pela dificuldade que é a leitura de um livro dela. O livro não tem uma história, com personagens, etc. Ela vai contando as coisas, tentando explicar uma proposta de escrita... A própria Clarice coloca a seguinte frase no inicio do livro, como forma de ajudar a "explicá-lo":

"Tinha que existir uma pintura totalmente livre da dependência da figura - o objeto - que, como a música, não ilustra coisa alguma, não conta uma história e não lança um mito. Tal pintura contenta-se em evocar os reinos incomunicáveis do espírito, onde o sonho se torna pensamento, onde o traço se torna existência." (Michel Seuphor)

Eu tava mesmo querendo catar uma professora foda de literatura que tem lá no meu colégio pra me falar um pouco desse livro e mais propriamente, de Clarice Lispector. Eu ainda não cheguei na parte da literatura na qual estuda-se a prosa contemporânea... E tou curioserrima para saber mais. Não tou me contendo. ;) Podia perguntar para a minha professora, mas acho que ela tá dodói.

Procês entenderem do que eu tou falando, vou postar aqui um trecho do inicio do livro que eu achei foda:

"Eu te digo: estou tentando captar a quarta dimensão do instante-já que de tão fugidio não é mais porque agora tornou-se um novo instante-já que também não é mais. Cada coisa tem um instante em que ela é. Quero apossar-me do é da coisa. Esses instantes que decorrem no ar que respiro: em fogos de artifício eles espocam mudos no espaço. Quero possuir os átomos do tempo. E quero capturar o presente que pela sua própria natureza me é interdito: o presente me foge, a atualidade me escapa, a atualidade sou eu sempre no já. Só no ato de amor - pela límpida abstração da estrela do que se sente - capta-se a incógnita do instante que é duramente cristalina e vibrante no ar e a vida é instante incontável, maior que o acontecimento em si: no amor o instante impessoal jóia refulge no ar, glória estranha de corpo, matéria sensibilizada pelo arrepio dos instantes - e o que sente é ao mesmo tempo que imaterial tão objetivo que acontece como fora do corpo, faiscante no alto, alegria, alegria é matéria de tempo e é por excelência o instante. E no instante está o é dele mesmo. Quero captar o meu é. E canto aleluia para o ar assim como faz o pássaro. E meu canto é de ninguém. Mas não há paixão sofrida em dor e amor a que não se siga uma aleluia."

(Clarice Lispector in "Água Viva")


Gostaram? Eu espero que sim... :)))

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Coisas que me deixam puta

Eu tenho umas manias engraçadas... E num gosto quando tentam se meter nas minhas manias.
Por exemplo, eu SEMPRE ouço cds na ordem. Rarissimamente, eu ouço uma música só. E quase nunca coloco no "shuffle" para que o aparelho de cd escolha a ordem das músicas. Acho péssimo.
Péssimo porque se o artista colocou as músicas naquela ordem, ele teve uma intenção. Óbvio que teve... Cd também tem inicio, meio e fim.
Meu pai vive me perguntando porque eu não coloco o cd em shuffle e não entende quando eu falo essa parada da ordem intencional do artista. Acha graça. Eu não vejo graça nenhuma nisso. Fico irritada, isso sim. Quer fazer o favor de me deixar ouvir o cd do MEU jeito? :P Que coisa!

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Precisamos parar com essas coisinhas...

As pessoas tem a péssima mania de nomear as coisas para entende-las. Como se o nome explicasse tudo...! O nome é apenas uma forma de identificação; ele não diz nada de profundo sobre uma coisa e/ou sentimento. Quer exemplo?
A pessoa fala "eu amo fulano" achando q isso explica. So explica q o q ela sente eh muito forte, tirando isso nao diz nada a cerca da intensidade, forma, tempo. E existem várias formas de amar.

Depois de um tempo, principalmente em fins relacionamento, é classico que as pessoas digam "eu não o amava de verdade". Ué... como é que se ama de verdade? E mais? Como você tinha certeza de que o amava? As vezes o tempo e a convivência não são suficientes para determinadas certezas... A gente tem de pensar bem no que fala pras pessoas, pensar no que realmente sente. Explicar um sentimento com várias palavras. Olha só que coisa boba/fofa que eu pensei... "Você me traz a mesma felicidade que uma criança sente ao comer algodão, num domingo agradável num parque..." Coisas assim. Várias palavras evitam os erros da taxação categória desde ou daquele sentimento.

Outra coisa q me incomoda...
Essa mania que temos de achar q todo sentimento precisa ser reciproco.
minha amiga mandou um cartao prum "rolo" escrito "i love u" e ficou puta qdo recebeu um "thanx"
Po... o cara pode nao ter sentido vontade de dizer eu te amo tb... ou nao sentir isso e por isso nao disse. Mas q coisa!
Não temos de encanar com isso não... É mais importante demonstrar o que sentimos do que dizer... Isso vale pros outros também.
Mais uma vez, forma de poupar tempo no divã.

Demonstrar e falar pouco sobre o que eu sinto... Prioridades para mim... :)